segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Tenho que procurar a poesia.

Tenho que procurar a poesia.
Convenci-me de que só disponho,
para salvar-me, dessa noite que 
começa além da sacada, excitante,
com intermitentes lufadas de vento morno.
Minha cabeça inclinada sobre a luz da mesa.
A poesia como uma flecha disparada.
Se mirei bem, o que conta ---
que eu quero, não é a flecha nem o alvo
mas o momento em que a flecha se perde
Tudo é difícil, é preciso desnudar o enigma
retirar dele o caráter humano
Mesmo que uma armadilha esteja armada
que tudo venha de maquinações
presunção inclusive para imaginá-las assim
O mesmo desejo de movimentos largos, ardentes,
que pareciam impossíveis. Talvez também?,
a mesma ironia ingênua (uma confiança desvairada
que se abandona, mesclada de lucidez doente
E sempre eu !, meu tempo, minha vida
neste momento, aqui : sou o vento agitando as árvores?
Um canto de inumeráveis pássaros ??
a abelha me percebe, nuvens cegas
Minha alegria ininteligível, o fundo do coração,
a aranha negra, as papoulas campestres, o sol
as estrelas, posso ser mais, ou tra coisa que um grito
nas festas do céu ???? Desço em mim mesmo
e encontro  apensas a eterna noite
o desejo da noite, o TRABALHO,
as cidades sem festas, as cabeças curvadas
os latidos de ordens . as servidões
Como a mosca feliz, obstinada contra o vidro
mantendo-me nos confins do possível
e Cá estou eu mesmo perdido nas festas do céu
Mais LIVRE ( meu pai repetia sempre -----
alarmado por minhas rebeldias :
''o TRABALHO liberta ''



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