quinta-feira, 31 de agosto de 2017
O agenciamento se constitui sob o princípio de multiplicidade
O agenciamento se constitui sob o princípio de multiplicidade, suas determinações se referem a “grandezas, dimensões, que não podem crescer sem que ela mude de natureza”339 . São arranjos que envolvem coisas, pessoas, animais, plantas, entre outros. É a soma do crescimento das dimensões numa multiplicidade que, forçosamente, muda de natureza à medida que aumenta suas conexões. Essa cartografia – crescimento de dimensões – por aumento de conexões é exatamente o que define um agenciamento, que é formado pelas linhas de fuga de um rizoma. O desejo rizomático é o desejo revolucionário, não por se unificar a uma causa, idéia ou bandeira, mas porque constitui movimentos, horizontalidades, velocidade de deslocamento dos elementos que se desterritorializam: máquina desejante, conjunto de pontas que se inserem, que se agenciam em múltiplas desterritorializações, ou seja, “variações e mutações”340 . Guattari, vinte anos depois do Anti-Édipo, lembra, em Paixões das máquinas: “Esta ‘máquina’ é aberta para o exterior, para o seu ambiente maquínico e entretém todo tipo de relações com os componentes sociais e as subjetividades individuais341 . O sentido das máquinas se encontra na elasticidade que permite expandir “o conceito de máquina tecnológica ao de agenciamentos maquínicos, categoria que engloba tudo o que se desenvolve como máquinas de diferentes registros e suportes ontológicos”342 . O desejo funciona em bases de agenciamentos com as potências afetivas, e ele próprio emerge no meio, é um elemento relacional, uma liga de fluxos. Se o desejo tem objetos, este é o próprio fluxo. É nessa potência para agenciar, para desterritorializar e para se efetuar, que se caracteriza a liberdade. A liberdade está longe dos ideais da democracia, uma noção abstrata como a da Revolução Francesa do final do século XVIII. Tais ideais, disfarçadamente, são mecanismos de dominação e captura do desejo e das diferenças. São formas de submeter o desejo e as potênciasl individuais a uma vontade geral. A liberdade não é conquistada com a ascensão dos indivíduos ao poder. Os homens não se tornam mais fortes e admiráveis quando são considerados iguais, mas, quando suas diferenças são afirmadas. As diferenças aparecem na produção do pensamento, na criação de maneiras de viver individualmente, na arte e na cultura dos povos. Essas diferenças são forças primeiras e livres, estão em nosso próprio corpo. Para essas potências não existem modelos, nenhuma Idéia ou modelo genérico. São qualidades microfísicas e não metafísicas. Portanto, não há uma moral do dever, mas uma ética de afirmação de forças. Não há um modelo para o corpo, ele se define por encontros e afecções, que podem ou não aumentar a sua capacidade de agir e pensar: uma ética do desejo. É deste modo que as questões relevantes podem (re)aparecer: Como ser um homem livre? Como e
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