Um meio dia de sol poderoso
dissolvido nas ruas sinuosas.
Minha testa apoiada e
às vezes, deslizando no suave vidro da janela
perto do canto das vitrines
ou do semicírculo da escrivaninha em desordem.
Eu olhava o rio.
O rio nem extenso nem estreito,
raras vezes revolto;
um rio com correntes enérgicas
que não se mostravam na superfície.
Atravessado por pequenos botes
pequenos barcos a vela
pequenas lanchas a motor e,
segundo uma hora variável,
pela lenta embarcação
que chamavam de balsa ----
largava de manhã da costa
com umbus e salgueiros
para ir metendo a proa
nas águas sem espuma
e aproximar-se, balançando,
da cidade onde eu vivia.
Uma balsa lotada de passageiros
levando automóveis presos por cabos
e trazendo os jornais do Rio de Janeiro
transportando, talvez, cestos de uvas,
garrafões revestidos de palha,
maquinário agrícola.
K.M.
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