Minha vontade: deitar à sombra, ler,
beber um pouco de café e água
sob paisagens brumosas e desertas.
Escrever enfim, redigir um livro
atingindo para este fim o rigor
(uma maestria contraditória
com minha benevolência,
minha puerilidade, concebendo em vão
o desígnio de escrever
salvo na medida em que estou
instalado, propondo-me umas trégua,
um acordo comigo mesmo).
Minha vontade : este riacho que flui.
Bocejo, magistral demônio,
sonho e fluo como a água.
Evidentemente nada posso possuir,
é-me necessário no entanto comer,
beber, às vezes não fazer nada.
Para esse fim, ao acaso, a chance.
Poética da chance. O que poderíamos
sem a chance ? Imensa contingência.
A alternância do riacho que flui;
da águia acima das águas; meandros da vontade
na paisagem feita de discordâncias:
nela tudo se desconcerta,
o mal estar segue as descontrações
como um cachorro, fazendo círculos.
Aparecendo e desaparecendo.
K.M.
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