O fluxo do comércio e do dinheiro, entre os comerciantes que buscam
maiores lucros, entram num sistema de descodificação, formando um novo
corpo pleno, o capital-dinheiro. Na sociedade capitalista, aparece um
paradoxo: “o sócius perde o controle dos fluxos ocorrendo processos de
desterritorialização dos códigos e de reterritorialização sucessivos”285
. Os
fluxos descodificados substituem os códigos até então colocados. Todos os
antigos códigos são substituídos por uma axiomática de quantidades abstratas
na forma de moeda. Nada resiste à fantástica máquina capitalista: “a
descodificação dos fluxos, a desterritorialização do socius formam assim a
tendência mais essencial do capitalismo. Ele não cessa de aproximar-se de
seu limite, que é um limite propriamente esquizofrênico”286
. Por um lado, libera
os fluxos, mas ao mesmo tempo leva esses fluxos até um determinado limite
que se fosse além levaria a sua própria dissolução e a partir de então ele
recodifica os fluxos.
O capitalismo não tem um território pré-definido como no sistema feudal, o império atual é nômade. O império de hoje “vive de contradições”287
, não
teme aquilo que foi o terror de toda sociedade. Em nossa sociedade, os fluxos
descodificados são re-dirigidos pela máquina capitalista, tornam-se
organismos burocráticos e são engendrados no corpo pleno: os fluxos de
capital deslizam semelhantemente ao nômade ou ao esquizo. O nômade, à
semelhança do esquizo, é o desterritorializado por excelência, aquele que foge
e faz fugir tudo. Ele faz da própria desterritorialização um território subjetivo. O
império de hoje depende das flutuações dos fluxos de toda ordem: fluxos de
emprego, de informações, de capital, de bens, de modas e os de
conhecimento. A máquina capitalista circula a terra em busca da captura do
desejo das massas. Os chamados “serviços do bem” são o sonho de consumo
de toda a sociedade capitalista.
O trabalhador não está mais preso à terra, e o capital desliza sem aviso
prévio para qualquer território onde haja maior “promessa” de lucros, liquidez, segurança e, hoje, mais do que nunca, onde as políticas de sustentabilidade
sejam sustentáculos sociais. O capitalismo funciona com base em um mercado
mundial e não encontra nenhuma fronteira que possa impedir a sua expansão. Deleuze falou da sociedade contemporânea como a sociedade de controle;288
ele reafirma o que Foucault já havia defendido, que o novo funcionamento do
poder opera “ao ar livre” e por modulação contínua; num tipo de controle que
nunca destrói as coisas completamente; ao contrário disto, as transformam
contínuas, ilimitadas e rapidamente, de forma imperceptível - como “um gás” - não as deixando jamais terminar. “É uma fantástica fabricação de riqueza e
miséria”289
. O capitalismo se faz polícia do mundo: invade, mata, modifica as
paisagens, destrói, assassina qualquer forma de vida, desde que, de algum
modo, haja uma interposição dos fluxos, isto é, o capital-dinheiro em seu
movimento ondulatório pelo planeta. Não é mais a velha toupeira monetária
dos meios de confinamento, “mas a serpente o é das sociedades de
controle”290
. Encontramos aí, nos dispositivos de controle, uma ilimitada
potência que se enrosca no incontrolável movimento sinuoso da serpente
financeira pois, se “o homem da disciplina era um produtor descontínuo de
energia, (...) o homem do controle é, antes, ondulatório, funcionando em órbita,
num feixe contínuo”291
. Mas além de fazer tudo correr solto, a condição capitalista impõe a tudo a “lei do valor”, cria um equivalente geral para todas as coisas: o dinheiro é o
equivalente geral; não tem a preocupação de codificar tudo, mas de
axiomatizar com a máquina abstrata capital-dinheiro. O dinheiro passa a reger
tudo: os modos de vida, as relações com a natureza e as relações com a vida
em geral.
Os códigos medievais vinham de uma ordem superior (Igreja, Estado, reis, nobreza, etc.), mas a “lei do valor” é imanente, é mais problemática do
que os códigos, ela tem um funcionamento que atravessa tudo. Ela não vem
de cima, ela se infiltra pelo meio, e contamina a tudo e a todos. A tendência
mais essencial do capitalismo é essa capacidade de desterritorializar, descodificar tudo. É aí que o capitalismo se aproxima cada vez mais de um
limite esquizofrênico.
Deleuze e Guattari já haviam mostrado o que há de comum entre
capitalismo e esquizofrenia. Na esteira “descodificante”, tanto os fluxos quanto
o regime de produção capitalista arrastam consigo toda formulação de
códigos, com uma diferença peculiar do capitalismo: ele desfaz todos os
valores para introduzir um único que serve ao regime de produção, o capital- dinheiro. Os afetos, o conhecimento, o desejo são fortemente incorporados ao
atual regime de acumulação capitalista.
Há uma advetência, ao longo do Anti-Édipo, para a estreita relação entre
produção desejante e produção social. Os autores mostram que o socius não é
um todo autônomo, mas um campo de variações entre uma instância de
agregação (máquinas molares – técnicas e sociais) e uma superfície de
errância (máquinas desejantes) como regimes diferentes de uma mesma
produção imanente, contrariando a tradição e a psicanálise que atrelam o
desejo à falta e a economia política capitalista que reduz as relações entre
forças à dimensão capital-trabalho. A economia do desejo e a economia
política são uma só: economia de fluxos. Homem e natureza estão imersos
numa universal produção primária, produtividade de fluxos e cortes de fluxos
da produção desejante.Esta se caracteriza pelo produzir sempre o produzir, pelo injetar o produzir no produto, pela produção de produção. Não existe mais
distinção homem-natureza: “a essência humana da natureza e a essência
natural do homem se identificam na natureza como produção ou indústria, isto
é, igualmente na vida genérica do homem”292
. Esta afirmação implica, por um
lado, na desnaturalização das análises que inscrevem o campo social numa
dicotomia totalizante e excludente entre o nível molar (macropolítica) e o nível 292 DELEUZE, G. e GUATTARI, F. Op,cit., p.18.
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molecular (micropolítica)293
. Como disseram os autores de Mil Platôs: “tudo é
político mas toda política é ao mesmo tempo macro e micropolítica”294
. Donzelot, comentando O Anti-Édipo e as subversões que este livro opera,
tanto na psicanálise quanto no marxismo, afirma que o lugar que ocupa o
conceito de produção na obra faz “do empreendimento de Deleuze e Guattari
um marxismo de dimensões mais amplas”295
. Se o desejo é produção, não há
espaços restritos de produção desejante. É preciso reescrever “o aparelho
psiquiátrico e psicanalítico”, que se referem ao desejo não como “produção
mas à lei, referindo-o não ao espaço político e social mas ao enclave irrisório
da família”296
. O propósito é lançar o desejo “no conjunto marxista das forças
produtivas. Ele só é refreado, regulado, por aquilo que regula qualquer
produção”297
. Deleuze, em uma de suas aulas sobre O Anti-Édipo relativa ao modo de
funcionamento do capitalismo, afirma que o que passa sobre o corpo de uma
sociedade são sempre fluxos298
. Os fluxos, numa formação social, falam dos
caracteres dos investimentos sociais, coletivos, e dos investimentos
inconscientes no próprio campo social.
O socius, como dispositivo historicamente produzido, é pensado em seu
funcionamento maquínico que se define por fluxos heterogênicos,
independentes e irredutíveis, geradores de infinitas formas de semiotizações. Desse modo, ele não se constitui por objetos e sujeitos que o pré-existem, mas
se produz, ao mesmo tempo, num mesmo plano, como efeito do encontro dos
corpos que os fluxos estabelecem entre si. O ser vivo é, assim, um corte no
fluxo. Os fluxos são o corpo primeiro do “socius”; sempre acontecem e vão
sendo definidos a partir das especificidades dos encontros. Corpo, que os
autores de O Anti-Édipo e de Mil Platôs denominam de corpo sem órgãos, que
são os corpos das afecções, encontro de fragmentos que escapam aos
princípios de organização, de formalização e de organismo. Na definição de
Deleuze e Guattari: “ele é não desejo, mas também desejo. (...) Ao Corpo Sem
órgão não se chega, não se pode chegar, nunca se acaba de chegar a ele, é
um limite”299
. O encontro dos corpos, momento em que os fluxos se conectam, é
presidido por uma operação maquínica. No entanto, essa operação não deve
ser confundida com as das máquinas técnicas que trabalham por produção de
produto. As máquinas desejantes não querem dizer nada, não desejam nada, apenas funcionam por desarranjo, fragmentação, acoplamento e, quando
agenciadas, produzem territórios, outras máquinas, fluxos e universos
existenciais. Em Mil Platôs, Corpo sem Órgãos é também o nome do plano de
consistência das multiplicidades, o que assegura a junção de heterogêneos num
conjunto aberto, tornando-se, portanto, parte importante na elaboração
conceitual de uma teoria das multiplicidades. No entanto, ele mesmo não seria
tanto “uma noção, um conceito” quanto “um conjunto de práticas”300
, que
possibilita uma ruptura em relação aos estratos que ordenam as multiplicidades, como as do organismo, da significância e da subjetivação. Por isso, ele se opõe
e combate o organismo como fruto do sistema do juízo distributivo de Deus, que
ordena os órgãos segundo funções e finalidades, constituindo um organismo
através da estratificação do corpo. Assim, a constituição de um corpo sem
órgãos requer uma desestratificação, que deve ser feita com “prudência”, “como
dose, como regra imanente à experimentação”301
. Os agenciamentos do desejo
produtivo dependem da constituição de um corpo sem órgãos. Há uma
dificuldade a ser superada nesse processo de “construção de um corpo sem
órgãos”. A desorganização dos órgãos, ou, como aparece em Lógica do sentido, a identificação da fissura incorporal de superfície, pode ser conseguida de várias
maneiras: os drogados com suas químicas, os masoquistas com suas dores, entre outros., mas é preciso ter prudência para não ultrapassar o delicado limite
do corpo. A prudência consistiria em observar o que se separa de um corpo sem
órgãos da morte do corpo. Em Mil Platôs, Deleuze e Guattari advertem: “experimentação muito delicada, porque não pode haver estagnação dos
modos, nem derrapagem do tipo: o masoquista, o drogado tangenciam estes
299 DELEUZE, G. e GUATTARI, F. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. Vol. 3. Trad. Aurélio Neto, Ana Lúcia de Oliveira, Lúcia Cláudia Leão e Suely Rolnik. São Paulo: Ed. 34, 1999, p. 9. 300 Id. 301 Id. Ibid., p. 11.
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perpétuos perigos que esvaziam seu CsO em vez de preenchê-lo”302
. É preciso
impedir que o corpo seja desterritorializado a ponto de encontrar a morte, ficar
na superfície preservando a vida. Voltaremos a abordar essa questão no
capítulo cinco.
Deleuze e Guattari, ao afirmarem que onde há produção e reprodução
sociais, há produção desejante
303
, sinalizam que as formas de produção social
implicam, elas também, um elemento de anti-produção acoplado ao processo
de produção. Cada sociedade teve a sua espécie de superfície de registro.304
Um corpo pleno denominado como socius (corpo da terra, corpo do déspota ou
capital) que, funcionando como superfície de registro, rebate-se sobre as
formas produtivas e apropria-se delas, desarranjando-as.
No caso do capitalismo, o capital se constitui como o corpo sem órgãos
do processo capitalista, inserindo-se entre o produto e o produzir como fluxo
de poder mutante que toma para si a deriva da força de trabalho e os limites
de sua própria fruição. Desse modo, o capital não é apenas a “substância
fluida e petrificada do dinheiro, mas confere à esterilidade do dinheiro a forma
sob a qual este produz dinheiro”305 e uma mais-valia valor “como substância
motora de si própria”.306
“O corpo pleno transformado no capital do capital- dinheiro suprime a distinção da produção e da anti-produção; ele mistura em
todo lugar a anti-produção às forças produtivas, na produção imanente de seus
próprios limites sempre alargados”307
. O capitalismo opera os fluxos com a condição de os introduzir numa
máquina não mais de código, e sim numa máquina axiomática, cujo limite é
determinado pelo valor do lucro. O capitalismo só permitiria as
desterritorializações até um certo limite para depois reterritorializar tudo.
A positividade do funcionamento capitalista é de se constituir sobre o
negativo das outras sociedades (enfraquecimento dos códigos). Ele não
enfrenta esta situação de fora, ele vive dela e nela encontra, concomitantemente, sua condição e sua matéria, impondo-a com toda a
302 Id. Ibid., p. 13. 303 Cf. DELEUZE, G. e GUATTARI, F. O Anti-Édipo: capitalismo e esquizofrenia. Trad..Georges Lamaziere Rio de Janeiro: Ed. Imago, 1976, p. 52. 304 Cf. Id. Ibid., p. 177 - 345. 305 Id. Ibid., p. 25. 306 Id. Ibid., p. 288. 307 Id. Ibid., p. 425.
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violência. “Sua produção e repressão soberanas só podem acontecer a esse
preço”308
. O capitalismo se engrandece sobre este signo: o de estar sempre pronto
para ligar um axioma a mais à máquina. Seu funcionamento é paradoxal à
medida que se constitui historicamente sobre aquilo que as outras sociedades
temiam: a existência e a realidade de fluxos descodificados que ele toma para
si, desterritorializando e produzindo combinatórias em escalas cada vez
maiores. “O capitalismo é a única máquina social (...) que se constitui como tal
sobre fluxos decodificados, substituindo os códigos intrínsecos por uma
axiomática das quantidades abstratas em forma de moeda”309
. Tendo como
combustíveis para sua acumulação, a “vampirização” da vida do trabalhador e
de seu lazer. “O capital é trabalho morto que como um vampiro se reanima
sugando o trabalho vivo e quanto mais o suga mais forte se torna”310. Confirma
Marx, abordado por Deleuze e Guattari: “O capital se torna assim um ser bem
misterioso, pois todas as forças produtivas parecem nascer dentro dele e
pertencer-lhe”311
. O capitalismo tem esse duplo movimento, ao mesmo tempo que
descodifica todos os códigos, ele procura também re-codificar: descodificação
ou desterritorialização dos fluxos e a sua reteritorialização, por vezes, violenta. Quanto mais a máquina capitalista se desterritorializa e descodifica os fluxos
para deles extrair a mais valia, mais os aparelhos burocráticos do capitalismo
reterritorializam, com toda força aqueles fluxos desterritorializados. O
capitalismo indica através de quais canais os fluxos desterritorializados podem
passar: os fluxos do cabelo, os fluxos da boca, os fluxos da orelha e os fluxos
do corpo em geral podem fluir livremente até o limite de sua subversão ditado
pela máquina axiomática. Daí em diante, toda a transformação será
convergida para o capital-dinheiro. Nisto consiste o paradoxo, em toda busca
de saída, ao seu final ou em seu percurso, está também a sua captura ou seu
fim.
308 Id. Ibid., p. 51. 309 Id. Ibid., p. 117. 310 DELEUZE, G. e GUATTARI, F. In: CARRILHO, Manuel, M. (org). Trad. José Afonso Furtado. Capitalismo e esquizofrenia: dossier Anti-Édipo.Lisboa: Assírio & Alvim.,1976, p. 56. 311 DELEUZE, G. e GUATTARI, F. Op.cit., p. 26.
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Nas “revoluções frustradas”, não se contou com esse limiar. Maio de 68
caminhou até esse ponto, as forças dominantes capitalistas “permitiram” que
se fosse até o seu limite. Esqueceu-se do contra-fluxo que atravessa todos os
códigos e que funciona de maneira estranha ao desejo revolucionário. Este se
volta contra os ideais de libertação com a permissão das massas
revolucionárias. Os partidos e os sindicatos já se encontram divididos por
fluxos “desembestados”. Quando as instituições percebem esses fluxos
desgovernados, surgem, então, os temores que facilitam a ação de um contra- desejo. A axiomática capitalista é uma laminação dos modos de viver, de
pensar, de existir, de sentir. É o achatamento de toda possibilidade criativa. Essa virtualidade capitalista é capaz de penetrar em todo lugar, e em todo
movimento cultural, político, religioso. Não é assim que se passam com as
obras antigamente sacras? Hoje, são objetos de valor capitalista, perderam o
seu significado religioso.
O problema parece ter sido o de se considerar os fluxos, as
desterritorializações e o desejo sob uma forma ingênua. Mesmo nas leituras
críticas que se fez sobre o desejo, pensava-se em torno de um desejo livre e aí
parecia que tudo estava bem, mas Deleuze e Guattari foram mais fundo ao
considerarem o funcionamento das máquinas desejantes.
No Anti-Édipo toda máquina estabelece um sistema de cortes, toda
máquina estaria relacionada a um fluxo material contínuo que ela emite e outra
corta. Se pensarmos o funcionamento da máquina-intestino que se conecta à
máquina-ânus, máquina-estômago que se conecta à máquina-boca, a boca do
neném que se conecta à máquina-peito, seguindo essa série até ao campo
social, não podemos esquecer que os modos de funcionamento são os
mesmos. Tudo é máquina e tudo é produção de produção. As máquinas
desejantes não visam a uma produção final como as máquinas técnicas, mas
sim à produção como processo de produção. Toda máquina desejante
comporta uma espécie de código de funcionamento que está estocado nela. Um mesmo órgão pode ser desvirtuado em relação às conexões e aos fluxos
por ele estabelecidas. A boca é para comer, é fluxo de saciação por ingestão
de alimentos, mas a boca anoréxica é para vomitar. “A boca do anoréxico
hesita entre uma máquina para comer, uma máquina anal, uma máquina para
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falar, uma máquina para respirar (...). Somos todos bricoleurs”312
, com nossas
pequenas máquinas. Sexo oral, sexo anal, as máquinas não se mantêm
sempre com os mesmos códigos. Assim como nas máquinas sociais, por
serem também atravessadas por fluxos, podem ter seu funcionamento
atrapalhado pelo desejo. A máquina policial, às vezes, pode funcionar como
máquina bandida. Há uma subversão permanente dos fluxos, a tranqüilidade
pela via dos fluxos do desejo é uma ilusão. Além da descodificação e da
desterritorialização, ainda se tem a subversão das “especificidades” dos fluxos.
O erro da psicanálise foi se considerar capaz de passar da lei que proíbe
ou reprime o desejo ao próprio desejo. Assim, a crítica que o desejo pode fazer
ao poder não é à proibição ou à repressão, não é que lhe impeça de existir ou
freie seu curso, mas muito mais o que lhe faça existir e lhe obrigue a circular
em certos caminhos ou sob certa imagem.
O que se procura fazer, na linha do Anti-Édipo, é se distanciar da posição
psicanalítica e, também das ingênuas críticas que se faz à repressão do
desejo. A crítica do Anti-Édipo vai mais além, atinge as formas de repressão
que recalcaram o sexo e a enunciação, fazendo tudo circular na representação
e na interpretação, afastando o desejo do campo da produção e aprisionando
tudo no eu e na família.
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