domingo, 8 de outubro de 2017

Letras encarnadas

Sentei ali mesmo
e pus os dedos no queixo,
os olhos gelados,
parte de *
da janela afastando-se em comboio,
alguém dentro de mim
dirigido ao que sucede
em letras encarnadas
em fundo branco
e ao centro, embaixo
em letras que parecem
mais vivas e salientes ;
as horas indecisas
e as escolhas dos outros,
horas do crepúsculo nos terraços
e de olhos úmidos
que acendem luzes esclarecedoras
sabendo vagamente
a uma febre passada
com grandes estandartes de fumo
tudo isso parece que ficou aqui
deixado aqui
não tem chegues fora,
passa uma lembrança pelo meu ombro,
o ruído da água
come into the smoking saloon
entrando laguns dias antes
através da minha sensação das palavras
elas estavam aqui agora
com passo animado
passando pela transformação
das dezesseis noites de alerta
olhando fixo o painel,
através do ruído do café
cheio de gente
ou da brisa que invade o convés
no amontoado noturno do navio


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