domingo, 29 de outubro de 2017

Adaime e osso

Deixarão que eu fale
porque sou poeta. E te direi
estrela inédita
na vastíssima escuridão
que me contorna, surgiste
tão igual à tua própria boca,
nunca meus olhos viram
teu corpo e tua carne tão moça.
Deixa meu ´peito ondular-se
nas tuas pernas de repente
permitidas. E prometo,
prometo mares e mundos
e te imagino subindo
as escadarias do prédio
mãos enlaçadas
palavra louca no ouvido
Não ouças ! ,
mas deixa as palavras
se transformarem
em coisas investidas de cor
espaçadas e comovidas
que nos abraçam e morrem conosco.
A forma das palavras é dúbia,
varia com a veleidade,
mas seus contornos se encaixam
como paisagem nos olhos.
O poema é andaime e osso.





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