Uma gota que seja de você
em cada poema, como
para fortalecer minha desordem
a fim de reanimar nosso pacto
e apresentar a prova entrelaçada
que imprime força à letra.
Me mantenho escrevendo,
o gesto incisivo que imagino,
preciso mergulho de rapina
no gargalo veloz da página;
para pegar, pescar, a voz úmida
submergindo contínua
no escuro que não pode secar
(ponto além da escrita,
o andar por dentro de si).
Cenho composto por poemas
e vazio sem rasuras, o poema
pega no tranco, arranco,
atropelo riscando a pista
com manchas de pneu furado
na batida: letras na margem apontadas
contra a mata dos sentidos,
flashback, o mel e a penugem
das pernas , e mais o puro movimento
do verso na direção das entrelinhas
(margens de permeio).
A mesa máquina se completa.
Carpintaria de muitos planos,
errática, acrescentado-se
de novos talhes,
apagando-se e recomeçando
no pensamento, que se reescreve
continuamente,
rascunho e resultado constante.
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