sexta-feira, 1 de setembro de 2017

As chamas do riso crepitam

Não posso me apagar -----
a afirmação que faço de mim mesmo
neste livro é ingênua.
Não sou, em verdade, mais que o riso
que me toma. O impasse em que afundo
e no qual desapareço
não é mais que a imensidão do riso.
Meu desejo ? sem limites.
Eu poderia ser o TODO ? Pude sê-lo ----
risivelmente : saltei através dele
e tudo se desconjuntou.
Tudo em mim se desfez.
Eu poderia por um só instante parar de rir ?
Nada mais que um homem
análogo aos outros.
Preocupado com a obrigação que lhe cabe.
Negado na simplicidade da grande maioria.
O riso é um relâmpago nele mesmo.
A poesia se libera do riso.
Cada ser isolado em seu quarto
depois
retira dela o que deve
ou retira-se dela.
As chamas do riso crepitam !

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