Na penumbra da sala do laboratório, uniforme e absolutamente fechada
isolada do som e da luz, do tempo e do espaço
procedia-se à investigação.
Procurava-se descobrir o espaço completo e geral
da pulsação originária, substância de todas as vibrações
desde as que iluminam as estrelas Cefeides
até as que comovem o coração humano,
as que marcam, domesticamente, o tempo civil nos relógios
e as que passam ondulando nas cordas dos violoncelos;
pulsação que fosse o sangue de futuros nascimentos e novas cosmogonias.
Dela viria a angústia dispersa em meio às nebulosas
e que ainda não pode se converter em estrelas,
viria a angústia das almas inascidas que, com o frio, e o medo de não nascer,
se abrigam no ventre das mulheres.
Naquele ambiente inerte e indeterminado
reinava um silêncio liso e sinistro :
um silêncio fronteira de ruídos apagados em macios de paina e veludo.
Temia-se, porém, a inversão do tempo ou o pânico da luz,
temia-se a lcançar a essência dos milagres
foi então que uma onda ligeira , inesperadamente,
entrou por uma fresta imperceptível do rádio:
era uma mulher cantando nas Antilhas.
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