terça-feira, 12 de setembro de 2017

III

Canoeiro. Poeta. A lua
avança, peixe, entre ondas.
Uma via láctea de sílabas
canta em coral com piabas.
Que noite ampara esta clara
ave palavra sem pouso,
que ousa, entre Ursa e a rara
estrela, traçar seu verso?
Quem faz o texto navega
vaga e refaz tudo o que
desfez em outros começos,
rema entre rumos até
que o pêndulo das marés,
nesse relógio primeiro,
resolva parar no tempo
de algum poema, o ponteiro.
João de Jesus Paes Loureiro, O ser aberto.

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