O rumor de sua respiração, tornando-se mais forte,
podia dar a ilusão do ofego do prazer e,
quando o meu chegasse ao fim,
poderia beija-la sem interromper seu sono.
Nesses momentos parecia-me acabar de
possuí-la completamente, como uma coisa
sem resistência da natureza muda.
Eu fruía seu sono com um amor clamante,
assim como ficava horas a escutar a rebentação das ondas.
Estava diante de mim e para mim;
tanto tempo como antigamente eu ficava deitado na praia,
ao luar, ---- e teria ficado ali a contemplá-la e escutá-la.
Às vezes o mar se encapelava, e a tempestade se fazia sentir
até na baía, e eu me punha, como ela,
a escutar o ronco de seu sopro.
Quando do fundo do sono ela subisse
os últimos degraus do sonho,
que fosse em meu quarto que ela renascesse
(eu pensava)
para a consciência e para a vida,
que ela se indagasse por um instante :
''Onde estou ????'' e, vendo os objetos
de que estava cercada, a lâmpada cuja
luz fazia quase imperceptivelmente piscar os olhos,
pudesse responder que estava em sua casa
ao constatar que despertava na minha.
Quando é assim de uma hora hesitante relativa
a uma criatura, quando é da incerteza de poder
ou não retê-la que nasce o amor, este amor
traz a marca da revolução que o criou,
e lembra muito pouco o que tínhamos visto
até então quando pensávamos nesta mesma criatura.
K.M.
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