quarta-feira, 1 de novembro de 2017

TEMPO FECHADO

Quando eu faltar
tomo assento
assalto você
que não parecerá
comigo por fora
só no escuro de
dentro, do avesso.
Você não me verá
mais, mas vai me
perceber invasor
germinando no chão
do próprio corpo
incorporando-me
sem parar, sem saber
como deter essa
reação, a não ser
se sentir que sua
vida está atada
à minha, apenas
por uma parte.

Por um fio ainda
está seguro, corial.
Tudo à mão, mas
sempre por um fio:
o amor básico, ar
alimento, agasalho
que se tece deste fio
que vai se desfiando
por vontade mútua
de quem o teceu tão
seu, e por quem quis
o seu calor certo sem
erro, de inteiro acerto.
Ainda por um fio
não teme mais o frio
do lado de fora, a fome
nem o ar de todos em
nada complacente ---- vê
que a parte de cima se
fundiu com outra parte
nesta carta do pai.

Armando Freitas Filho

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