sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Sou um lance de dados.

Mais longe que a poesia

o poeta ri da poesia
ri da delicadeza da poesia
do mesmo modo
a lubricidade ri
de tímidas carícias
posso num beijo
introduzir um ardor venenoso
mas poderia me restringir a olhar,
ao beijo. Deus não é o limite.
O limite do homem é divino.
O homem é divino
na experiência de seus limites.
Deixo-me, perco-me e 
---- em certo sentido ----
me reencontro
ainda uma vez
afogado num copo dágua.
Não posso me confundir com o mundo
que o meu valor
não pode mudar
O mundo não é eu
pessoalmente, não sou nada
A diversidade sem limite
e a terra ao pôr do sol
deslizando em suas planícies
suas montanhas e seus mares
Só tendo sentido na noite
sobre o fundo do não-sentido
não sou eu, é o homem em geral
árabe, delinquente, juiz ou forçado ----
que o mundo quiz
No sentimendo de que
o mundo em mim se joga

Aquilo que sou de ponta a ponta
é sob a condição de esquecê-lo
o que cai é a noite de Aminadab

encontro a exultação
o acordo com a vaidade
a criancice e o cômico
O mundo ligado à vaidade
requer uma loucura difusa


K.M. 

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