segunda-feira, 12 de março de 2018

ESPÍRITOS


Aquele do qual se exigem
Apresentação e aprumo,
Inumeráveis textos e civilização,
Tem apenas sete notas cabais.
Seus olhos, flama celeste,
Terníssimo desejo de manifestação,
Mesmo amando não emigram.
Antes, se fixam
Deleitosos e frouxos
Por um instante
Alentando o coração,
Revertendo o continente do prana
Num tipo de conteúdo corporal
(mas sair desse aparente letargo
Complica a poesia).
A morte não se rende à formosura
E a desesperação nunca acerta
Na tradução, na lei da sorte,
No contrato da vida ---- ATMAN
(necessidade de abono).
Isto posto, somos capazes de esperar.
Reinando com o coração,
Como o próprio personagem,
Livre, seguro, com a fortuna ao lado.
O mágico volver dos olhos
A caricatura e o nome.
O círculo do sacrifício
E sempre um livro na mão
E uma impenetrável liturgia
(os olhos se derretem
À caminho do mar, os penedos ,
Os mármores mais duros da alma
vão nos livros mais complicados.
Os livros da maçonaria (33) e
Refestelam-se de números e jornais.
O filho da terra alucinada,
Do Espiador, do solícito desejo
Da política do maçom (procurando mágica
Nos próprios papéis, na longa trança
De idéias, na face transparente
No espelho da palavra perdida,
nas patéticas vozes truncadas).
Mas esperando a paz
nas brechas das lembranças
por onde o olho único transita.
‘’Todo o bem, todo o gosto,
Cá nesta solidão mortal
E clarividente, quando não lhe disserem
Esgotada na banca de negócios.
Condicionado na região deserta,
Este trecho de metafísica
É onde as coisas essenciais são servidas.
Céus. Estrelas. Poderes.
Pasmo e maravilha, o misterioso
Albanil escuta: é ilusão do pensamento (?) ,
Ou pensamento semiótico (?) ,
É aí, como num pórtico
No RIO AYURUOCA,
Ao som monótono]
Do Om Mani Padme Hum,
No RIBEIRÃO DOS ESPÍRITOS,
Ao som desse mistério
Tecido pelo gado. A Natureza
Fluindo pelos poros e,
na alma, um filtro apaziguante
da atividade pineal.
Nada a perturbar, apenas
(ao ar livre)]
A paisagem tomando o lugar
Do eu e seus invólucros.
Começa-se a conversar com os mortos.
Uma musica estranha,
Infinita, apesar de dissonante,
Alerta brotando da terra.
E o frio pelo cabelo dos montes
E um elo entre os dois olhos
marcando o infinito vivo do espaço ;
toda a floração  do evento
apenas pelo prazer de VER,
entreabrindo
(insólito céu)
Os olhos, ainda empe nhado,
Laborando na minúscula figura fantasma
Das pupilas. Mas sem seguir até o fim
O ritual. Depois, o sossego absoluto,
Tão traiçoeiro quanto a liberdade
(precisão e invocação, súplica);
Dono de uma certa sabedoria
Que teoriza, ladrilha a linguagem
Olhando a lombada do vazio
Evaporar-se.
Aplicação de pronto.
Reconhece-se o sonho
E seu sacerdote.

K.M.


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