Ts´ui, Reunião
Avancemos mais um passo ! ,
e que força tem as pedras
sedimentando as coisas
nas frestas da poesia;
além da corte,
recebendo notícias
do cerco à percepção
que envenena as notícias
antes de fazer rir
(história sujeita à leis
severas de compreensão).
Ts´ui, Reunião ---- é necessário que
HAJA UMA REUNIÃO
de todo o disperso
e o acréscimo de uma linha forte,
a 5 (quinta) Etapa de Ts´ui:
a idade e o movimento;
ouvidos mais apurados
depois de você e, sobretudo,
o poder de enfrentar,
de alguma maneira precisa,
algo mais duradouro.
Algo fértil que
reverbera novos ângulos,
MIMETIZANDO-SE.
A oposição, o impossível, o
sobre-humano, se deparam
com o que desejam impor.
Então ENCOLHE-SE
enquanto se ampliam as ''lembranças''
e dilata-se a biografia
em que instalamos nosso espanto.
K.M.
HECCEIDADES
História como conjunto de
''agoras'' sempre relacionáveis e
passíveis de atualização.
Signos precursores, pressentimentos,
atravessam nosso organismo
como batidas de ondas.
Da ameaça do futuro
ao agora preenchido,
como são vorazes
os artistas e desertos.
Glosando o texto
TELEPÁTICO
com corpórea
presença de espírito.
No meu corpo está presente
tudo o que me trespassou:
SUN, a Suavidade, o Penetrante, o
VENTO. LI, a Chama, a Claridade, o
BRILHO. TUI, o Lago, a Serenidade, a
ALEGRIA.
Aspiro aromas, vejo cores,
toco formas e
me dissolvo extasiado
nessa aura ----
Ovídio também prescrutava
as estações, em dias de sol
indo ao Mercado.
O passeio é uma HECCEIDADE
que muda o mundo sem permissão
(a cumplicidade obrigatória
o atesta...), reunindo as pontas
de paisagens velocíssimas
na linha pontilhada do horizonte.
Agora é esta a sensação
na condução dos negócios:
que o trem passa rápido demais
pelos fatos, cada vez mais vento
de detalhes precisos
(ficando debochado...)
mas se mostrando digno,
a fala mansa
querendo aliviar-lhes a sorte.
K.M.
O ròse sparse in dolce falda
Allor riprende ardir,
crudelli stelle, armata spezza a ´tristi
nocchier governi e sarte.
Fai sentire, et a noi, como si parte
il bel visto da gli angeli aspettato.
Alma cui tante carte vergo,
o ròse sparse in dolce falda
IN CH´IO MI SPECCHIO E TERGO,
O PIACER, ONDE L ´ALI AL BEL VISO ERGO.
LOGOS SPERMATIKÓS
Advirto aos incautos:
não há nada de mórbido
neste assunto. Estamos apenas
JUNTOS.
Adesão sem sentido
aos previsíveis fantasmas
do CORAÇÃO ? ,
mas se não as amealhasse com meu
escrevente olhar
talvez se perderiam certos fatos
entre as imagens do sonho,
do noturno feto tântrico
alojado na escritura,
prosseguindo em sua ''aventura''.
O poeta embalado sua
num de repente furtivo e fervilhante,
sentindo que seu alcance interno
vai progredir e ''ALUZCINARTE''.
A perseverança é favorável.
Fazer as refeições fora de casa
traz boa fortuna. É favorável
cruzar a GRANDE ÁGUA.
O CRIATIVO que
deseja se moldar
entrando no poema
à força, abre seu caminho
com os ''dentes'',
viajando em silêncio
na LUZ ASTRAL
até a mulher na gravura.
Nota-se a felicidade sanguínea
que transborda do poema.
É favorável atravessar
a GRANDE ÁGUA ----
esta é como que a
transição para o cósmico.
Enquanto o dorso dela se contorse,
a Treva se ilumina.
O segredo da carne fala
somente o necessário,
''crua e sonoramente''.
Fala de bio-fótons e
neurônios-espelho
no limite traçado por nossas veias
dentro do FOGO.
POLÍTICA DE CLIMATIZAÇÃO
A política me convenceu
de que sou boneco de palha
e de que a LEI deve ser
suficientemente grande
para moldar tudo.
A cada notícia de jornal
minha mente hipotecada
se soma a tantos anos
de história estagnada
numa LENTIDÃO definitiva.
Me sinto tão desajeitado, tão
VAGO, tão cansado para
RECOMEÇAR com o projeto
(por mais acéfalo que fossse)
de buscar o SAGRADO
através da AÇÃO.
Da ''Sociedade Secreta''
propriamente dita
É DIFÍCIL FALAR,
mas ao menos alguns deles
guardaram uma forte impressão
de ''saída do mundo''
através da Yoga.
Isso não precisa mais
ser ''nuançado'' -----
a galáxia tornou-se
finalmente confortável,
com sua homeopática atitude,
da ação à inoperância REAL
dos pontos de isolamento.
Os resíduos das crenças pueris
não tornarão a intrincar o problema.
Sinto uma PAZ absurda,
como se essas cinco horas da tarde
fossem me transcender.
Tudo são camadas geológicas de fêmeas,
tudo são glândulas e nuvens
e atenção ao meu corpo.
Os humanos, perplexos,
aprendem a contemplar
RADIOSAMENTE,
espalmando na vidraça.
K.M.
TRANSPARÊNCIA PURA
Pouco diferente das paixões
com que queimam os heróis de Sade
e tão próxima da dos mártires e santos,
seguidos de estados de graça
que excedem os resultados visados.
Ninguém se abandona à provação
por meros e vulgares elogios ----
as consequências da doutrina lúcida
são tão somente a colheita da LUZ.
Uma nação inteira, durante 15 anos,
permanecendo surda a essa voz,
NÃO É ALGO SÉRIO ?
A verdadeira aspiração acentua-se
ao ponto de alarmar -----
esse prurido de prazer,
de santidade , de morte...
a cidade se confunde com os deuses
e tarefas extenuantes aparecem
em seus exatos limites:
a pior simplicidade, a
NUDEZ, é obitda para elas.
O homem total, um pouco bufão,
um pouco Deus, um pouco louco,
é transparência pura ( a
soma shakespeareana dos
caprichos, mentiras, dores e risos).
A consciência da totalidade é
um imprevisto equilíbrio de tensões
no fluxo da incoerência sem fim,
uma simplicidade ousada
e incessantemente em jogo,
o desacordo profundo
mas dançado sobre a corda.
Essa dissolução fulgurante na totalidade
justifica a vida como ''festa imotivada''
e até mesmo como ''suplício entusiasta''.
O tempo da liberdade é o do riso,
do ininteligível Céu,
e essa responsabilidade cômica
nos incumbe e nos oprime.
K.M.
LAVADOS DA PROPAGANDA
''O canoeiro voou fora da asa''.
A ruptura da lei moral
era necessária à essa exigência
em busca do mais longínquo possível,
daquilo que supera todo elogio:
inventar o porvir do MITO.
Depois deixar recair a cortina
e reconduzir-nos a metas mais próximas.
Cada adjunto por servimentos em quartéis,
cada sublime competência para morrer me brasonava,
mas ainda não tremulavam por mim os estandartes.
O calhar de um ser indo mais longe que os outros
torna sua filosofia perigosa
quando comunicada do deserto.
O deserto puxado por ventos e palavras
''até o limite do possível '' -----
''lugar sem comportamento é o
CORAÇÃO'', um nada sonoro aumentado
ajeitando as nuvens no olho,
OLHO que me desproporciona
falando vivamente
contra qualquer surpresa ----
suas muralhas e mistérios...
no entanto, olham de soslaio,
CURIOSOS, terrivelmente curiosos,
as grades resplandecentes de seu domínio.
Curiosos seduzidos pelo vago,
desconhecido canto que lhes ''ocasiona''
e indetermina, lavados da propaganda,
de suas redobras de sujos e impossíveis
risíveis, o mal condensado em seu fedor.
A lavagem é proposital, digo:
DESEJADA POR DEUS,
pois a COMUNICAÇÃO REAL requer
ANTES DE TUDO
seres em si mesmos postos em jogo
e não celerados auto-estuprados pela
DEFESA SOCIAL DO EGO.
O ápice da energia compactada
é um momento de ''colocação em jogo'',
de suspensão do ser
para além de si mesmo
e sua propaganda interna,
pois a luta não é por frontispícios
e sujidades de comércio cromático,
mas pela visão clara, veloz,
das coisas em si, tal como fluem
no UNIVERSO: essa correnteza de
LUZ OMNISCIENTE ----
sem feitio de fatura exagerada
pela publicidade da ''chance''.
K.M.
LÁBIOS DO MUNDO
Recorro à noite se quero mostrar
as fraturas expostas do meu ser.
Na inversão dos espelhos
um milagre então se opera:
além da febre dos sentidos
rasga-se o sétimo véu
nadando com guelras e espanto
nas dilapidações perigosas,
em tudo o que nos coloca
temerariamente em jogo.
Se as forças nos faltam,
ou se percebemos seu limite,
passamos a ''enriquecer urânio''
com vistas às dificuldades por vir.
Agimos ---- o enlace de
LUZ e SOMBRA
cinge nossos sonhos,
buscando ao sabor das ocasiões
os prazeres perigosos.
Tudo o que é partilha
torna-se trovão e claridade
nos lábios do mundo.
Mas isso ainda não está claro;
reduzo tudo à busca de um proveito,
pois que ainda falo dele
espelhadamente, e cada palavra minha
é uma pátria secreta;
cada uma no seu território,
o mesmo intento calado
no coração predatório de cada uma,
motivando a cada vez nossos gastos
com promessas de ganho, risos e
excitações sexuais
de estados místicos ----
daí esse contínuo excedente
de energia espumante
no plano do cálculo econômico.
Ela perde em acuidade
o que ganha em amplitude.
Ela é de fato adulterada
na medida do interesse em jogo,
que subordina-lhe o ''dispêndio''.
K.M.
CONTENDORES
Em sua modéstia e verdade
perecíveis, não dizemos nem SIM
nem NÃO à realidade ----
a evidência consumível
grudou no traseiro das coisas
um ''rabinho cômico''
de muitas toneladas.
Ensinar o exercício do pau
também foi uma tarefa cômica,
como o cômico rasgar de um cenário.
Mas para lá do riso,
havia o êxtase tântrico ligado
como um plugue na tomada.
As luzes do aeroporto iam e vinham
na ronda rumorosa, arrastada
como a queixa balbuciante
de uma amante abandonada.
Os conteineres não estavam mais
sendo descarregados neste momento;
no fim da claridade
nos despojavam do fogo concedido,
retirando de nós o pouco que deram
e dando o que não queríamos.
Saqueados até nos sonhos
pelo arrebatamento lúcido
em troca de uma boa gorjeta.
Uma réstia de luz sob a porta fechada
seguia gotejando seres contábeis que
dividiam despesas populares
num balcão de segredos.
O fundo vazio e livre da discussão aparecia.
Quem ganhava? Quem perdia?
Num arrebatamento calmo
uma exigência decidida
aniquilou o mundo pesado
da DISCUSSÃO
e o dia novamente se levantou acima
destas pequenas coisas condenadas.
*
Somos nossos próprios contendores.
Na escuridão seguimos a senda
que leva do NÃO ao SIM,
e deste SIM faz um NÃo.
K.M.
PETRÓLEO
Cada vez sou menos mais
e sou mais menos na conta
de somar que me subtrai.
Tenho o perfil arrancado de
plataformas, e nuvens de idéias
nos recortes de jornais que despontam
quando tenho que fuçar arquivos
de uma guerra que apenas li.
Qualquer hora me expulsan daqui.
Ventos de vozes bárbaras, sempre em férias,
roxas em voz altas, erguendo mastros
e orgasmos marciais na praça errada.
Fui sempre assim: um clarão entre degraus
de esperança e medo,
a alegria difusa, impessoal e
sem objeto do yogui,
a impressão íntima e inapreensível
da volatilização de Deus;
o sentimento da potência dosado
pelo estado místico,
e o racionalismo mais claro,
mais ousado, servindo de caminho
em nossas mesas de tempestades.
Sombras dissimuladas tramando sua prece
em rascunhos de vitórias
treinadas nas olimpíadas industrais:
a sede onde se inscrevem
as façahas dos preços
da última onda-alarme.
Lago de olhos parados
ordenhando sal da UTOPIA.
Nervos, never, nó e NÃOS
de alta-voltagem
nas águas do noticiário.
Olho-o, espinha da usura
no jogo infindo de espelhos
(seus ásperos sentinelas a postos).
Um halo de vídeo fixo,
cortado e modulado
em vários níveis,
mas o que o olho nomeia isoladamente
atravessa a surpresa de ponta a ponta.
O que se fala em ''baixo-relevo'' aqui
é VISTO de forma vociferante
e pertence à linhagem dos seres migratórios,
conho o DINHEIRO.
K.M.
Échéance (calhar)
Escrevendo cada vez mais pesado,
falo, evidentemente, de estados agudos.
A sociedade varada, trazida à lume pelo rabo,
longe de levar a transparência ao infinito,
a agitação tensa de seus músculos a quebra.
Mesmo o sorriso do Buda torna-se pesado.
A insistência num SALTO DE QUALIDADE
é bagunçado pelo comércio carnal.
No lugar de um rasgão no tecido das coisas,
há apenas mugidos de rebocadores
afastando as ilusões feéricas das estradas.
E nada permite reduzi-las à mentiras acidentais:
todos seus desejos registrados
na fala suja das ruas e BRs.
Corpos de água e gás publicitário
em todos os andares
escapando via insights
até o âmago governamental do molde.
Além das refinarias de petróleo
que circundam o fundo da baía
uma fogueira de pneus imprestáveis
sobe em espiral no firmamento,
emergindo da realidade prosaica
como um milagre de fatos determinados
''em jogo'', e exigindo que
permanceçam ''em jogo'',
mesmo em condições difíceis.
Échéance repercutindo
decididamente sobre a corda bamba.
Exposição ultra-lenta, de usos sub-reptícios,
oferecidos à preço de remarcação
para só então se entrar no assunto,
vendo de perto, algumas portas abertas.
K.M.
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