Arquitetura do fenômeno.
Nenhuma coação lírica-religiosa,
em troca: escape, liberdade, os
mecanismos inconscientes
explorados por ritmos escritos
(se pasea en la playa,
banhistas e ondas
alargando a virtualidade das palavras).
Novelas e horizontes
injetados, esteriotipia
e algum lastre sobre a vereda:
loucura das grandezas,
megalomania perversa,
''megalomania objetiva'' ;
impulso absoluto do orgulho,
exibicionismo frenético do ''capricho''
e da ''fantasia '' imperialista.
Brecha no bloco imutável, normal
da ação, entreato das palavras
carnavalizadas no espaço mítico,
na praia moderna (mésalliance),
optando pela sátira instantaneamente
cômica em seu duplo foco
de moralidade e fantasia.
As imagens se parodiam
em graus diversos.
Mulheres airosas
e suas coxas sobre a areia,
ninguém poupa palavras
ao telefone: multidões aguardam
um milhão de sinais. Dubeck fala
(olho testemunho e
olho narrador)
como um guarda:
''Meu blog, meu conceito
de jardim, determinando
o desejo nu. Grossas coxas nuas
e o silêncio do sexo
no olhar, no centro destes
textos, Delfos, a densa porosidade
dos mitos. Vaga aliança
da aparência com a espera,
ela é fruta que me impele
para a multidão na água
(naiades de biquini
procurando sustentar seus dígitos)
Tudo pretendia sugestionar.
Os deuses disseram entre si :
''Conseguimos cumprir o acordo
com essa humanidade. Agora,
o risco''. E talvez se pensasse
em revelar todos os mistérios.
A erótica divina e
suas múltiplas seduções.
Doce e perplexa carne,
na velocidade da inconsciência
se inscrevendo nos rostos
e gestos aquáticos''.
Restava a consciência especialista
em ampliar o rito. Intertextualidade
soando na tela do celular como um concerto,
e certamente as mulheres também
se viam ali, falando ou representadas.
Eu parava e observava:
não só bois tranquilos
pastando o verde eco de vida
na memória da Web.
De la Sixtina do blog
contemplando também suas pinturas,
procurando Deus na
lei das probabilidades da arte,
refestelado de afrescos,
vinhos e castelos, florindo há uma semana
como se os sons de Frescobaldi
se condensassem em paisagens,
pedras que o luar reverberava
epifanicamente: amostras de
Bronzino, Tintoreto, Andrea della
Robbia e Filipino Lippi.
Abrindo os sanduíches na praia,
tropel de notícias e segredos.
Que súdito eu era ?
Que notícias trazia?
Que segredos entregava ?
Mas estancou-se a prosa,
sua mínima quase-história,
sabendo que sua vida era curta
em suas grutas e espirais
na direção de outras galáxias.
Não só um pobre homem no
Caminho Novo das Gerais,
sentado numa praça medieval,
mas também os anúncios
pós-modernos na rua,
e o trânsito todo conectado.
Tudo sugestionava.
O poeta atentando:
não necessariamente um turista
escrevendo notas
(L´abbandonarsi semantico
del personaggio alla propria situazione;
cadde! , cerebrum. Fortuido, caloris e
il quarantesimo giorno.
Provocatio. Spermatis),
mas um sábio etéreo
que atentava, disputando e
cochichando, a depender dos
jornais. Camelô literário,
vinha de Esparta
com uma persuasão maléfica
e certeira através da noite.
Na escuridão da pedra
merecendo seus raios de luz.
O jogo acrobático
da libação pela qual alcançou
o bem da Divindade,
aquele pequeno grande
romance, e suas respostas.
Escrevia marcando, adubando
o dia por nascer
com notas de rodapé;
incansável em entretecer
especulações, a contínua alternancia
dos significados, resvalando a alma
em ásperos despenhadeiros
(despassarado e exposto
à paralisia da tarde,
verbo coruscante,
meditarrânea fagulha
versando tropical em grego).
O mar, o prédio, os pássaros.
O sol e um coração de inseto
pulsando detalhes imensos.
As coisas com desprendimento,
um centímetro acima do instinto vital
num desespero luminoso.
Atenção vibrando
Nos sete raios da consciência.
Entreaberta a cortina
Da percepção,
Talvez se saciasse o desejo
E emudecesse o verso
Num alvo súbito.
A luz, o sonhos mortais,
De beijos e de rosas,
Ah, o amor (nos confessamos)
Na linha do presente
De nossa frágil vida transitória,
Voando nas asas
De um final tremido,
O discurso premente
Em câmera lenta.
Pralaya
entre cinzas e espectros
(fantasmas sócios e
Extremos, mudos objetos
E sensações palpáveis
de frases pelo corpo)
Por quanto tempo
Ficarei pairando na conversa ?
A aura literária
E o sopro do vento leste
(as águas estão mais frias,
A fria, a agreste areia do monólogo).
É próprio o lugar
Para tais pensamentos,
A pesquisa do nada
Convidando o olhar maduro
A escrever a partir do sonho.
Repara que espetáculo. O orfismo.
Entre larvas e monumentos falantes
No olhar do yogui, aquele fruto sensório
arrancado da indistinção da Natureza
(aspirando à plenitude intelectual
À distância, Manas carpindo
O poema da Luz
no instante do olho que se ilumina).
K.M.
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